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DAS COISAS QUE A TERRA NÃO COME
Impressão sobre cimento queimado

Instalação com 20 peças
2024

Série que deu nome à exposição individual
na RV Cultura e Arte
Salvador - BA

Me interessa olhar para a estética da ruína como um lugar de memória e pensar como, em meu trabalho, impressão, espaço físico e lembrança se misturam e se desdobram. Em 2024 reencontrei uma casa de boneca nada tradicional, que me acompanhou durante a infância. Nela, toda a dinâmica acontecia na planta baixa: um tapete delimitava os cômodos e a brincadeira se dava completamente no chão. Que se perdeu com o passar dos anos.

Essa série (que da nome a minha individual em 2024) se desenvolve através da impressão de 27 móveis dessa casa de boneca em blocos de cimento queimado vermelho fazendo referência ao chão da casa que pertenceu à minha família, vendida de forma arbitrária e demolida nos anos 90. Entre móveis perdidos, paredes derrubadas e lembranças que hoje só existem na memória, o chão (terreno) se torna a única testemunha do que foi vivido.

Percebendo o chão como elemento central e expressivo nesses dois contextos, retorno ao terreno da casa e coleto algumas gramas como gesto simbólico, integrando à “massa de chão-matriz”, e me aproprio do dito popular muito utilizado em família: “se fosse bom, a terra comia”, para trazer esse novo olhar para as marcas que a terra não comeu como algo positivo, cheio de experiência e memória.

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